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A mais antiga referência que tenha algum relacionamento com o atual piano remonta ao ano de 2650 A.C.. O KE era um instrumento chinês de corda beliscada. Consistia num conjunto de cordas esticadas sobre uma caixa de ressonância em madeira com aproximadamente 170 cm de comprimento. Os primeiros "KE" tinham 50 cordas de seda, cada corda constituída por 81 fios entrelaçados. Mais tarde o numero de cordas foi reduzido para 25, organizadas em grupos de 5, cada grupo de cor diferente para melhor visualização e foi introduzido também o sistema de pestanas ( ou pontes ) móveis em todas as cordas para melhor afinação do som de cada uma separadamente.
Os chineses da época consideravam o KE um instrumento sofisticado capaz de proporcionar ótimas performances. É um instrumento que ainda se usa no folclore chinês.
Outra referência que tenha algum relacionamento com o atual piano remonta ao ano de 582 A. C. Nesse ano Pitágoras usa um pequeno instrumento de corda com o nome de MONOCÓRDIO. Essa utilização não tinha qualquer ambição artística, era apenas um banco de ensaio que o matemático usou para quantificar a altura do som. O MONOCÓRDIO consistia numa caixa de madeira com apenas uma corda, presumivelmente feita de tripa de gato. Pressionando a corda em pontos diferentes e depois beliscando-a conseguia-se produzir sons de alturas diferentes. O MONOCÓRDIO foi divulgado principalmente através dos gregos e, mais tarde, dos romanos que o usavam também como instrumento de apoio aos coros das igrejas, apenas para dar a nota inicial.
Apesar de haver algumas dúvidas, há historiadores que defendem ter sido um aluno de Pitágoras que conseguiu quantificar devidamente o fenômeno da altura do som e aperfeiçoar o temperamento de intervalos iguais. Chama-se temperamento à correta diferença de altura entre os 13 sons de uma oitava.
O temperamento de intervalos iguais esteve no esquecimento até Bach escrever os 24 prelúdios de " O Cravo Bem Temperado", em 1722 . Essa obra foi a primeira a exigir de fato uma afinação desse tipo porque percorria todas as tonalidades em modo Maior e Menor. O sistema que prevalecia anteriormente era o temperamento de meios tons, que dava uma maior aproximação da afinação natural que o temperamento de intervalos iguais, para o tom de Dó Maior ( por exemplo ) e os outros tons relacionados de perto com ele, mas afastava-se de tal maneira dos tons afastados de Dó que se tornava praticamente impossível tocá-los visto que a sonoridade se tornava desagradável. Esse fenômeno obrigava a que para um espetáculo musical fosse quase obrigatório escolher repertório só de uma tonalidade: aquela para a qual a afinação estivesse prevista. Curiosamente não se sabe o nome do tal aluno de Pitágoras .
Cerca do ano 1000 em Itália começaram as primeiras experiências de adaptação de teclas a vários instrumentos musicais de sopro. Dessas experiências nasceram os primeiros ÓRGÃOS. Um ORGÃO na sua versão "original" é um instrumento em que o ar comprimido por um sistema de foles passa através de tubos que irão produzir o som de cada nota. A função da tecla é simplesmente abrir a passagem de ar para o tubo que se pretende, tal como acontece, por exemplo no acordeão. Timbres diferentes são conseguidos usando bocais diferentes: com palheta livre (tipo acordeão ou harmônica), com diversos tipos de bisel, etc.
É claro que também foi adaptada uma tecla ao MONOCÓRDIO. Rapidamente o numero de cordas foi sendo aumentado e durante os séculos XII e XIII muitas experiências foram feitas no sentido de se construir um instrumento de cordas com teclado que pudesse produzir corretamente todas as notas de uma escala. Essas experiências conduziram ao CLAVICYTHERIUM. Este era um instrumento muito rudimentar onde as cordas estavam dispostas num chassis de forma triangular e de estrutura muito simples. As cordas eram de tripa de gato e em cada tecla havia um tangente metálico que tocava na corda produzindo o som.
Aqui há divergências de opinião, visto que para alguns historiadores o CLAVICYTHERIUM seria o nome que os ingleses davam a um instrumento de cordas do tipo do cravo, mas com as cordas na vertical, embora, para outros, esse instrumento seja o VIRGINAL .
Outros defendem que o CLAVICYTHERIUM terá sido inventado em Itália cerca do ano 1300 e que terá sido copiado e aperfeiçoado por alemães. Esse aperfeiçoamento será conduzido ao CLAVICÓRDIO.
Fonte: https://www.steineresons.com.br/
Os primeiros CLAVICÓRDIOS foram construídos no séc. XV e tinham apenas 20 ou 22 cordas de latão, que eram postas a vibrar por um sistema tão simples como original, mas de qualquer forma muito pouco eficaz. Na ponta da tecla havia uma pequena lâmina metálica de nome tangente, montada em posição vertical. O movimento da tecla fazia a tangente encostar à corda que era então mais "agitada" do que vibrada. Entre os séc. XV e XVIII o CLAVICÓRDIO passou por vários estádios experimentais que se traduziram numa interessante evolução. O número de teclas foi aumentado até ás 50, agrupadas sobre 5 pestanas, tal como no KE chinês. O tamanho das cordas aumentou de tal modo que estas ocupavam mais comprimento do que o teclado. Alguns dos primeiros CLAVICÓRDIOS tinham mais teclas do que cordas. Tal só era possível porque o tangente podia modular o som de acordo com a zona da corda que atacava permitindo que a mesma corda estivesse afetada a mais do que uma nota. Chegaram a ser usadas 3 teclas na mesma corda. Nos primeiros CLAVICÓRDIOS podemos mesmo encontrar teclas com 2 tangentes, o que obrigava o executante a dosear cuidadosamente o movimento da tecla de modo a que cada tangente agitasse a corda a partir do ponto ideal. Todos estes sistemas estranhos e desprovidos de lógica tornavam quase impossível a tarefa do executante. Só em 1725, o alemão Daniel Faber construi um CLAVICÓRDIO com uma corda para cada tecla e com uma fita de feltro entrelaçada na parte não vibrante das cordas para evitas vibrações desnecessárias e desagradáveis. No início do Séc XVIII o CLAVICÓRDIO reúne já 4 das mais importantes características do piano moderno: Tampo harmônico independente, cordas de metal, o modo de agitar a corda por percussão e finalmente os abafadores. Os abafadores têm como função interromper a vibração das cordas quando se larga a tecla. Só nesta época este instrumento atingiu o estado " adulto ", permitindo que o executante se exprimisse corretamente. Apesar de apresentar um volume de som muito fraco, o CLAVICÓRDIO era capaz de produzir delicados gradientes de toque, permitindo executar crescendos e diminuendos como até então não tinha sido possível. Virtuosos como Johann Sebastian Bach e Emanuel Bach escrevem para este instrumento, tirando partido das possibilidades de vibrato que o mecanismo proporciona. O CLAVICÓRDIO foi o primeiro instrumento de tecla com "alma". Bach, Mozart e Beethoven, chegaram a preferir o CLAVICÓRDIO ao mais potente CRAVO e até àquele novo instrumento que dava pelo nome de PIANOFORTE. Apesar disso muitos músicos não se satisfaziam com as performances do CLAVICÓRDIO. Havia o desejo de um instrumento de cordas e teclas que soasse mais FORTE. Fonte: https://www.steineresons.com.br/O Clavicórdio
Cerca de 1503, Giovanni Spinetti, de Veneza, constrói um instrumento de forma alongada, com cordas compridas de latão e um grande tampo harmônico abrangendo a totalidade do espaço disponível, o que fazia aumentar o volume de som. Neste instrumento as cordas não eram agitadas por um tangente, mas sim postas em vibração por um plectro acoplado a um saltarelo. O plectro era feito de pena de pato e colocado na ponta do saltarelo de modo a beliscar a corda ao passar por ela. O saltarelo era uma peça de madeira fina e com cerca de 10 centímetros de comprimento, que ficava apoiada na extremidade da tecla e que acompanhava o movimento da mesma, Uma pequena peça de feltro acoplada na ponta do saltarelo fazia funções de abafador, impedindo a corda de continuar a vibrar após a tecla voltar à posição de repouso. Esse instrumento chamou-se ESPINETA. Apesar do sistema de funcionamento da ESPINETA não permitir qualquer expressividade relacionada com o controle da intensidade, foi um instrumento que se tornou muito popular graças ao fato de produzir maior volume de som que o CLAVICÓRDIO. As espinetas variam o seu tamanho entre 1 metro e 170 centímetros aproximadamente. As mais pequenas podiam ser colocadas diretamente sobre uma mesa, o que aumentava ainda um pouco mais o volume sonoro. Giovanni Spinnetti fazia as suas espinetas com o teclado exterior à caixa de ressonância, tal como acontece nos pianos atuais, mas em 1550 Rossi de Milão construiu espinetas em que o teclado estava inserido na caixa, tal como acontecia nos clavicórdios, o que tornava o instrumento mais compacto e mais facilmente transportável. Naturalmente, vários construtores de espinetas em Itália, na Alemanha mas especialmente os ingleses experimentaram formas de incrementar o volume de som. No fim do Séc XVI Rimbault experimentou algo que parece a união de um teclado com uma harpa, que pode ser considerado uma espécie de protótipo do formato do piano vertical. Esse instrumento certamente teria um mecanismo de grande complexidade cuja construção não estaria facilmente ao alcance dos meios técnicos disponíveis naquela época. Para alguns historiadores esta estranha espineta inglesa seria o VIRGINAL. Chama-se no entanto a atenção para o 1º capítulo deste texto, onde se refere que há divergência de opiniões acerca deste assunto. Pelos exemplares de espinetas que se conhecem, parece razoável concluir-se que os construtores da Europa continental preferiam construi-las com a caixa de forma triangular enquanto os ingleses as construíam com a caixa retangular, mais à semelhança dos clavicórdios. A caixa em forma de asa ( tipo piano de cauda ) parece ter sido usada pela primeira vez pelo construtor Gerónimo de Bolonha em 1521. Fonte: https://www.steineresons.com.br/
A adoção desta forma terá sido ditada pelo desejo de um maior volume de som sem aumentar demasiado o tamanho do instrumento. A evolução deste conceito dá origem ao CRAVO, instrumento com o mesmo tipo de mecanismo mas com mais e maiores cordas. O tamanho dos CRAVOS chegou a ser aumentado até aos 5 metros. O aumento do tamanho das cordas levantou problemas sérios e de difícil resolução: a sonoridade das cordas muito compridas e finas tornava-se desagradável nos graves por falta de "corpo" e, se as estruturas do instrumento não suportavam a tensão de cordas grossas, pesadas e de aço, também os plectros de pena de pato, demasiado frágeis, não as poderiam fazer vibrar convenientemente. Face a estas dificuldades os melhores fabricantes acabaram por reduzir os seus maiores CRAVOS a um comprimento vizinho de 3 metros, mas usando até 4 cordas por cada nota. A meio do séc. XVII foram construídos cravos com 2 teclados e 3 cordas por cada nota. Como forma de aumentar ainda mais o volume e o "corpo" do som, os dois teclados podiam ser acoplados, isto é, quando se tocava num deles o outro movimentava-se fazendo soar também as suas cordas. Na mesma época surgiu também o sistema de pedal para impedir que as cordas parassem de vibrar quando se largava a tecla. Esse sistema não foi bem aceite e poucos construtores o aproveitaram. Estas evoluções ao longo do séc. XVII tornaram o CRAVO no instrumento preferido em detrimento da ESPINETA. Todavia essa vantagem não seria assim tão duradoura. Apesar de no Séc XVIII se terem experimentado plectros com a ponta forrada de cabedal macio, a sonoridade continuava a não ser totalmente satisfatória e a total ausência de controle de intensidade em tempo real ditaram o declínio do CRAVO, que viria a ser preterido para o PIANOFORTE. Não deve no entanto entender-se que no fim do Séc XVIII de repente toda gente passou a preferir o PIANOFORTE. Há que ter em consideração que tanto o CLAVICÓRDIO como o CRAVO e até a ESPINETA eram instrumentos "adultos", que tinham atingido a "perfeição" após se terem conseguido livrar de alguns sistemas de mecanismo bizarros e das sonoridades menos satisfatórios. O próprio PIANO deve muito ás experiências que se fizeram em ambos os tipos de instrumentos, o CLAVICÓRDIO ( de corda percutida) e a ESPINETA e o CRAVO ( de corda beliscada ), visto que ainda atualmente há elementos de ambos que nele coexistem. Salienta-se no entanto, que o piano, por ser de corda percutida, está mais próximo do CLAVICÓRDIO que do CRAVO. Fonte: https://www.steineresons.com.br/
O CRAVO, a ESPINETA e o CLAVICÓRDIO lutam para se fazer ouvir contra orquestras e salas cada vez maiores e com mais público. Numa época em que os construtores de instrumentos de cordas com teclas lutavam para melhorar as performances mecânicas e acústicas não admira que por vezes surgissem inventos parecidos oriundos de locais completamente distintos. Foi o que aconteceu com Bartolomo Christofori em 1707, Marius de Paris em 1716 e Christoph Schroter em 1717. Em 1716 o construtor Marius de Paris realizou 3 modelos experimentais de mecanismos com martelos que pretendia aplicar ao cravo. As suas novas propostas foram nesse ano apresentadas à Academia de Ciências mas aparentemente nunca nenhum instrumento foi construído com esses novos sistemas, provavelmente porque um mecanismo com martelos, para ser eficaz, requer uma estrutura bastante diferente da do cravo ou do CLAVICÓRDIO, visto que necessita de cordas mais pesadas e muito mais tensas. Um instrumento que já existia na época e que tinha capacidade de suportar a energia do martelo era o DULCIMER, instrumento muito simples, com uma estrutura muito resistente, suportando cordas metálicas de aço, pesadas e muito tensas. No DULCIMER é o executante que segura os martelos nas mãos atacando as cordas diretamente. Toca-se como se fosse um xilofone. Christoph Schroter, organista alemão, declarou que a ideia de um mecanismo com martelo lhe ocorreu depois de ouvir um enorme DULCIMER. Esse novo mecanismo era substancialmente diferente do sistema do cravo. A ação desenvolvia-se em torno de um eixo, com o martelo executando um movimento de rotação mais enérgico do que o movimento vertical do saltarelo. Este sistema teve duas variações: uma com o martelo por cima das cordas e outra com o martelo por baixo das cordas. Maquinismos de Christoph Schroter. Um com ação de baixo para cima e outro de cima para baixo. O primeiro serviu de base para o sistema atual. Apesar do espírito inventivo de Christoph Schroter não se conhece nenhum instrumento construído por ele, aparentemente por falta de apoio do seu rei. Apesar disso em Dresden no ano de 1724 foram construídos alguns que usavam o mecanismo concebido por Schroter. Parece que em 1728 o alemão construtor de órgãos Gottfried Silbermann também constrói instrumentos com um mecanismo que pretendia ser um aperfeiçoamento do de Schroter. Fonte: https://www.steineresons.com.br/
Em 1765 Johannes Zumpe, ele também aluno de Silbermann, constrói em Londres o seu primeiro piano de mesa, com o formato muito próximo do clavicórdio mas também com o chassis reforçado para as cordas de aço e equipado com o novo tipo de mecanismo com martelos, abafadores, sistema de escape e pedal. Em apenas 10 anos John Broadwood em Londres, Sebastian Erard em Paris e Beherend em Filadélfia, entre outros, apresentam também os seus modelos de PIANOS de mesa. Mas sendo todos eles de volume de som bastante mais fraco do que nos modelos de cauda. Se não considerarmos o aumento do número de teclas e outros melhoramentos de menor importância, para se falar da evolução do PIANO de mesa teremos que nos virar para os Estados Unidos da América, onde este tipo de instrumento foi rei quase durante 100 anos. Em 1825 Alpheus Babcock, de Boston, inventou o chassis inteiramente de ferro e fundido numa só peça. Este terá sido eventualmente o mais importante melhoramento ao longo de todo o Séc XIX. Só com o novo chassis foi possível concretizar o desejo já antigo de aumentar o tamanho e a espessura das cordas e consequentemente o volume de som. Os antigos quadros de madeira não poderiam suportar a tensão das maiores cordas. O famoso construtor de Boston, Jonas Chickering, aperfeiçoou o chassis de Babcock e acabou por conseguir registar a patente em 1840. A maioria dos construtores de Boston optaram pelo chassis de ferro fundido. No entanto em Nova Iorque, mais influenciados pelo estilo alemão, rejeitaram este novo invento argumentando que a sonoridade se tornava demasiado metálica, principalmente nas notas mais agudas. Sabe-se agora que esse timbre tinha a ver com uma deficiência das ligas metálicas então disponíveis e não com outros fatores. Na Exposição Mundial de Nova Iorque, em 1855, a firma americana Steinway and Sons fez sensação apresentando um piano de mesa com 85 teclas (7 oitavas), chassis de ferro fundido de um novo formato mais resistente para poder suportar o esforço das cordas também mais engrossadas das notas graves. As cordas eram montadas em posição cruzada o que permitia que num chassis dum determinado tamanho se montassem cordas mais compridas. Este modelo não fez sensação apenas por ser capaz de produzir mais volume de som e ter maior extensão de voz mas principalmente por ter sido ultrapassado o problema da sonoridade metálica e estridente nos agudos. Depois do sucesso do modelo da Steinway todos os construtores americanos passaram a usar teclados de 85 teclas com chassis metálico de cordas cruzadas, o que veio a ser o novo standard na construção de pianos. Atualmente todos os pianos têm essas características mas, o teclado standard passou para 88 teclas. Apesar do sucesso que se lhe reconhece, a Steinway and Sons não criou um produto "acabado". Antes do final do séc. XIX ainda iriam aparecer importantes melhoramentos. O piano de mesa da Steinway tinha uma característica importante que viria a ser completamente modificada apenas 10 anos depois pelo construtor americano Frederick Mathushek. Nos pianos de mesa o cepo das cavilhas ( peça de madeira onde são cravadas as cavilhas metálicas que servem para esticar as cordas fazendo a afinação ) era inicialmente colocado nas "traseiras" da caixa, do lado oposto ao teclado. Essa característica dificultava imenso o trabalho do afinador visto que num instrumento daquelas dimensões era muito difícil ter uma mão no teclado e outra na zona do cepo. Frederick Mathushek inverteu todo o sistema e colocou as cavilhas logo junto ao teclado sem alterar o timbre do instrumento. Este melhoramento é considerado um dos mais geniais da evolução do piano de mesa.Depois de 1867, ano da Exposição de Paris, os líderes da industria americana, confrontados com o sucesso do piano vertical na Europa, dedicaram-se ao desenvolvimento deste tipo de instrumento que apresentava a enorme vantagem de ocupar bastante menos espaço. Os últimos pianos de mesa americanos foram fabricados no ano de 1880. Fonte: https://www.steineresons.com.br/
Depois de C. E. Friederici em 1745 e das experiências de Stein e outros, parece que só em 1780 aparece outro piano vertical, pela mão de Johann Schmidt de Salzburgo. Em 1800, nos Estados Unidos, John Isaak Hawkins constrói também um piano vertical com as cordas paralelas, sistema de escape, sistema de controle da descida do martelo (atrape ) e outras novidades (não tinha pedal). Apesar do mecanismo bastante avançado, não fez sucesso por ter uma sonoridade muito desagradável. O atrape ( do francês - attraper - segurar) - Este sistema impede que o martelo ao cair transmita impulso à tecla, o que seria sentido pelo executante. Em 1807 William Southwell, de Londres, aparece com um pequeno piano vertical em que as cordas eram montadas na diagonal mas colocadas totalmente para cima do teclado e não atrás deste, como era habitual. Tinha apenas uma extensão de voz de 6 oitavas, de Fá a Fá. A popularidade do piano vertical na Europa disparou em 1826 quando um construtor de nome Wornum, desenvolveu um mecanismo que combinava precisão com durabilidade. Esse novo mecanismo permitia repetir a mesma nota com maior velocidade. Ignace Pleyel, de Paris, adotou e aperfeiçoou esse mecanismo, que passou a chamar-se a ostentar o seu nome. O sucesso foi tão assinalável que se tornou extremamente difícil vender pianos de mesa na Europa. O mecanismo Pleyel é atualmente usado em todos os pianos verticais, tendo sido introduzido apenas um melhoramento importante: no fim do séc. XIX os abafadores passaram a ser colocados abaixo dos martelos, o que os torna muito mais simples e eficazes. No entanto no início do séc. XX muitos fabricantes ainda colocavam os abafadores por cima dos martelos. Na Alemanha o fabrico de pianos verticais começou a aumentar cerca de 1835, ao mesmo tempo que diminuía o número de pianos de mesa. Estes deixaram de ser construídos em 1860, Vinte anos mais cedo que nos Estados Unidos. Os pianos alemães do fim do séc. XIX eram maiores e muito mais pesados do que os pianos franceses e ingleses. Enquanto nestes dois últimos países se continuava a construir pianos com chassis de madeira os alemães, influenciados pelos americanos, já os construíam em ferro, com cordas cruzadas e com 3 cordas por cada nota. Já atrás se referiu que o sistema de cordas cruzadas permite que, na mesma caixa, estas sejam mais compridas do que no antigo sistema de cordas verticais e paralelas. Esses pianos tinham mais e melhor sonoridade e robustez do que os seus contemporâneos. Tinham também uma sonoridade muito aperfeiçoada mas o toque ( sensibilidade do teclado ) era bastante inferior ao dos melhores pianos de mesa americanos. Apesar disso nessa época os pianos verticais alemães monopolizavam o mercado europeu. No fim do Séc XIX os construtores americanos de pianos verticais usavam mecanismos mais complexos, mais caros e de toque menos agradável do que os alemães. A pouco e pouco todos eles copiaram o sistema mais vantajoso. Apesar da notável evolução do piano vertical este continua a apresentar alguns problemas de difícil solução, tanto a nível mecânico como acústico. O fato das astes dos martelos estarem em posição quase vertical dificulta a recuperação da posição de repouso. O movimento de retorno do martelo não se faz totalmente por ação da gravidade mas sim auxiliado pela ação de uma mola e de uma fita de tecido. Por outro lado o sistema de escape é um mal necessário. Como este também depende de uma mola, contribui para que o toque se torne menos agradável. A tecla, ao ser mais curta do que no piano de cauda, também tem menos flexibilidade, o que torna o toque menos dinâmico. No entanto não deve entender-se que o piano vertical é uma invenção infeliz. Atualmente, nos modelos de boa qualidade, os defeitos que ainda persistam estão bastante minimizados. Se deixarmos de lado os modelos mais pequenos, de sonoridade menos cheia, pode dizer-se que a generalidade das marcas apresenta produtos muito aceitáveis e de grande duração. O sucesso do piano vertical deve-se à diminuição de dois fatores importantíssimos, embora ambos com influência direta na qualidade: tamanho e preço. Em plena revolução industrial, a máquina a vapor abriu as portas à produção em grande série a custos mais reduzidos, permitindo fazer face à crescente procura. Pleyel, juntamente com Sebastien Erard, beneficiou de um golpe de oportunidade. Os seus aperfeiçoamentos no mecanismo do piano vertical coincidiram com o início da construção de prédios de apartamentos. No início do séc. XIX a cidade de Paris estava de tal modo congestionada que a alternativa foi construir daquela forma, com pequenas divisões e com escadas onde dificilmente caberia um piano de cauda ou de mesa. Quando a crise da falta de espaço começou a afetar outras cidades européias os potenciais compradores de pianos verticais aumentaram de número e os construtores alemães e ingleses optaram por seguir as pisadas de Pleyel e de Erard. A marca Pleyel ainda hoje existe embora tenha sido vendida pelos herdeiros em 1934 e tenha passado já por vários proprietários. O mesmo aconteceu à marca Erard. Desde 1971 ambas estão associadas à Schimmel, fundada na Alemanha em 1885. A japonesa Yamaha, fundada em 1887, também está associada a esse fabricante. Nos E. U. A. só cerca de 1880 é que começam a crescer os primeiros prédios de apartamentos, o que justifica o atraso de popularidade do piano vertical. Fonte: https://www.steineresons.com.br/
O formato em forma de asa ou cauda parece ter sido usado pela primeira vez em 1521 e tem sido sempre o formato preferido dos construtores preocupados em produzir instrumentos de teclas e cordas de alta qualidade, por ser capaz de produzir mais e melhor som que os outros formatos. Este formato é o que usava nos cravos e pianofortes. É o que permite um melhor relacionamento entre o executante e as cordas. O fato de ser um sistema "tudo em linha" torna mais natural o funcionamento do mesmo, sem necessidade de recorrer a artifícios de menor eficácia. Ao contrário do que acontece no piano vertical, o teclado, os martelos, atrapes, abafadores e cordas trabalham num alinhamento perfeito, tudo na horizontal e sem necessidade de transferências de energia para outras direções. Todos os retornos acontecem por força da gravidade, sem necessidade de quaisquer molas, exceto no caso do escape, que usa uma mola muito simples e que passa quase despercebida. Tal como o cravo, também o piano de cauda teve que resistir aos "sofrimentos" infligidos por alguns inventores já tocados pelo espírito da "one man band" e dos atuais sintetizadores. Numa publicação de 1796 aparece a descrição de um piano construído pela fábrica Still Brothers da Boémia. Segundo essa descrição a dita máquina tinha formato de cauda, com cerca de um metro de altura e 2,5 metros de comprimento ( enorme ! ), 230 cordas, 360 tubos e 105 efeitos tímbricos. Tinha também dois teclados e 25 pedais que serviam para controlar os efeitos sonoros. Esse instrumento pretendia imitar flautas de vários tipos, alaúdes, fagote, assobio, clarinete, corne inglês e outros. Dispunha ainda de triângulos, pratos, diversas peles, etc. São conhecidas também as "pianolas" americanas do início do séc. XX, que funcionavam com um sistema mecânico de ar comprimido ou de manivela que fazia a leitura em rolos de papel perfurado e os pianos de teatro, com efeitos bizarros e que eram utilizados para acompanhar os filmes de cinema mudo. Os músicos sérios rejeitaram estas e outras propostas, certamente interessantes pelo ponto de vista de inventor, mas menos relacionadas com a verdadeira expressão artística. Para por em ação um conjunto de cordas de aço, compridas, grossas e muito tensas foi necessário aumentar a velocidade e a resistência dos mecanismos existentes. A grande intensidade de som dum piano de cauda depende da interação entre o mecanismo e as cordas e entre as cordas e o tampo harmônico. O tampo harmônico do piano equivale ao tampo de uma guitarra ou violino, tem como função aproveitar o movimento da corda para ele próprio se movimentar pondo em movimento uma maior massa de ar do que a corda só por si, produzindo maior impacto no tímpano e no ouvido interno. Durante anos alguns mestres alemães e ingleses trabalharam no assunto mas um dos primeiros construtores a resolver o problema e fabricar um produto satisfatório foi o já referido Sebastien Erard, de Paris, cerca de 1775. O seu piano de cauda tinha chassis de madeira e só uma outra versão datada de 1823 aparece reforçada por um conjunto de 6 barras de ferro longitudinais. Outro dos construtores com sucesso foi o inglês John Broadwood que apresenta o seu primeiro piano de cauda em 1781. Parece que o chassis de ferro fundido numa só peça aparece em 1820 pela mão dos construtores Allen & Thom, de Londres. Tal como no piano de mesa e no vertical o desenvolvimento foi contínuo e envolveu um grande numero de fabricantes e de novas ideias. Algumas delas foram aplicadas simultaneamente em todos os tipos de pianos. Entretanto Johann Andreas Stein e a sua filha Nannette Stein - Streicher, dedicaram-se ao aperfeiçoamento do maquinismo de Schroter por terem constatado que os pianofortes por ele construídos a partir de 1780 foram os preferidos por Mozart, Beethoven e outros. Talvez a principal razão fosse a de que esse sistema tinha um toque mais elástico que os pianos de Christofori e produziam uma sonoridade mais agradável, menos agressiva, lembrando vagamente os clavicórdios. No mecanismo de Stein o martelo percorria uma distância maior desde a posição de repouso até à corda e a flexibilidade da aste do martelo diminuía a violência da pancada. Esses dois elementos, flexibilidade e sonoridade, deram-lhes a supremacia na Alemanha, Áustria e Itália durante muitos anos. Em 1821 Pierre Erard, sobrinho de Sebastien, regista em Inglaterra uma patente a que deu o nome de "duplo escape". Este novo sistema permite uma maior velocidade de repetição da nota. A grande fama do nome Erard deve-se a essa invenção muitas vezes, erradamente, atribuída a Sebastien. Em 1838 Pierre dá de novo nas vistas com um novo sistema de fixação das cordas: o capo tasto. Atualmente também usada por todos os fabricantes, o capo tasto é apenas uma barra de latão colocada sobre as cordas, logo abaixo das cavilhas e que as pressiona contra o chassis evitando que acidentalmente mudem de posição por ação das pancadas mais violentas. Também melhora a sonoridade. É um sistema mais simples do que os agrafes, também inventados por Pierre. Entretanto os construtores americanos também trabalhavam no assunto. Em 1825 a Loud Brothers apresenta um piano de cauda com 88 notas em vez das 85 do piano de mesa da Steinway & Sons. O também famoso Jonas Chickering patenteou o seu chassis de ferro para piano de cauda em 1843. Só em 1859 (4 anos depois do seu piano de mesa) a Steinway apresenta o seu piano de cauda com chassis monopeça reforçado e cordas dispostas em posição cruzada. Depois da Expo de Londres em 1862, os construtores alemães e Austríacos adotaram a sistema americano enquanto os ingleses e franceses se mantiveram fieis ás cordas paralelas e chassis reforçado com barras de ferro durante mais alguns anos. Em Inglaterra os mestres carpinteiros conseguiram modificar o formato da cauda do piano eliminando os cantos angulosos para adotar a forma arredondada que se usa atualmente. Em vez de tentar dobrar uma tábua para fazer as curvaturas, tarefa impossível naquela época, optaram por usar pequenas peças de madeira que eram coladas umas ás outras logo no formato arredondado que se pretendia. O piano de concerto de hoje pode-se considerar um modelo de perfeição tecnológica e acústica. Desde o final do séc. XIX que a pouco e pouco se foi libertando de todas as invenções menos felizes e se tornou numa reunião das melhores ideias dum grande número de mestres construtores. Atualmente a evolução tem sido mais na área da escola dos materiais de construção do que propriamente na evolução dos sistemas, já muito aperfeiçoados. Tem a caixa construída em contraplacado do tipo marítimo, isto é, com as lâminas todas da mesma espessura, sem nós ou uniões em cada placa e colado com cola à prova de água. A construção em contraplacado torna-se mais sólida do que em madeira do tipo "tábua". Algumas peças do mecanismo podem ser de plástico, sem qualquer influência na qualidade do som. Usam-se também materiais modernos tais como os alumínios para os chassis do mecanismo, parafusos inoxidáveis, colas à prova de água, etc. O chassis de um piano de concerto moderno suporta uma tensão vizinha das 30 toneladas. O tamanho de um piano moderno de concerto ronda os 2.70 metros e tem 88 no
A Espineta
O Cravo
O Pianoforte
O Piano de Mesa
O Piano Vertical
O Piano de Cauda